quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Amigo...

ontem fui (também) prestar homenagem a um grande amigo que entretanto já se foi! à medida que as fotos iam passando...à medida que a música ia tocando...à medida que as lágrimas me iam saltando...dei por mim a pensar naquela pessoa, no que viveu, mas também na forma como me encheu a mim e a muitos outros de lembranças. E é isso que fica do Mário...muitas e boas lembranças da pessoa que foi, da guerra que travou, da forma como a perdeu, mas principalmente da forma como sempre lutou!

Frequentemente no nosso dia-a-dia nos esquecemos que andamos aqui para morrer...e que tudo o que fazemos de bom, de mau, de feio, de bonito não é mais do que uma etapa que nos aproxima cada vez mais daquilo que é inevitável...vamos mesmo desaparecer.

Então porquê tanta luta, tanto stress, tanta pressão, tanto trabalho, tantos momentos desperdiçados porque não temos tempo, não temos paciência, não temos força...depois...já nada disso importa...juntar dinheiro para quê? evoluir na carreira para quê? desperdiçar algumas das coisas boas da vida para quê?

Foda-se...eu hoje já queria ter filhos! é um dos sonhos que ainda não cumpri (e não sei se o irei cumprir)...eu hoje queria ter possibilidade de ter estado muitas mais vezes com quem já não pode estar comigo...eu hoje queria ter tido mais tempo para estar com aqueles que mais amo!

Merda...já tenho 38 anos...já tenho que ir ao médico e preocupar-me com o coração, com a próstata...com os meus pais, que há muito pouco tempo eram "jovens" e hoje já vão a caminho dos 70 anos!!...como eu gostava de lhes "oferecer" um neto/a para eles usufruirem dele ainda com saúde!...não sei se vou conseguir concretizar este sonho...

...sim, são gotas...estão a escorrer-me pela cara abaixo...desculpem!!

...era tão bom sentir que aos 15/16 anos tínhamos uma vida inteira pela frente...um mundo de experiências para viver...um universo de coisas novas para experimentar...e não pensávamos em mais nada senão gozar a vida, usufruir até ao último minuto do dia, da hora...podíamos perder todo o tempo do mundo...também tínhamos todo o tempo do mundo!!

o meu amigo não...podemos dizer que estatisticamente teve metade de todo o tempo do mundo...viveu sem concretizar nenhum dos meus sonhos...mas foi feliz, acredito que conseguiu concretizar alguns dos dele! também acredito que se foi com pena...pena de não ter feito tudo aquilo que queria...pena de não ter sentido tudo aquilo que desejaria...

...mas eu ainda cá estou...teoricamente com possibilidade de fazer "quase" tudo aquilo que quero...ainda assim já não tenho 15/16 anos...já não sinto ter todo o tempo do mundo...já sinto que, cada mês que passa, cada ano que passa, me afasta da possibilidade de concretizar alguns desses meus sonhos...

...ainda assim estou por cá ainda!! ainda que não esteja a ser eloquente...ainda que esteja a escrever sobre tudo e sobre nada...estou!!

...o meu amigo já não.

Devo pois, em homenagem a ele, continuar a lutar, continuar a acreditar que, pelo simples facto de cá estar, posso ainda fazer muita coisa...foi isso que ele fez a sua vida toda...acreditou! ainda que a sofrer...acreditou...acreditou sempre.

Grande Abraço Mário.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Estou no escritório, o sol nasce...dou por mim a pensar na capacidade que algumas pessoas têm para serem naturalmente desonestas. Elas e as empresas que elas dirigem. Como é possível estar permanentemente a manipular sentimentos, emoções, mas mais grave ainda...dados e factos, e achar que os outros não percebem, não entendem, não chegam lá?

Como é possível, no alto da sua "BI" (burrice emocional, em oposição à IE, inteligência emocional), acharem que continuam a fazer tudo sem que os outros se apercebam...

Tenho pena de estar a dar o meu contributo para algo em que acredito muito, feito num sítio onde já não acredito em nada. Tenho pena de ainda me levantar todos os dias com vontade de ir fazer aquilo que gosto...num local onde não gosto de estar.

Também penso muitas vezes se não sou eu que estou mal. Muitas vezes acho que ainda que acrescentando valor à empresa onde estou, àquilo que faço, essa mesma empresa será muito mais feliz se eu lá não estiver.

Parece que lá se vive numa realidade paralela, onde alguns acreditam mesmo na construção que fazem dessa mesma realidade. É como se, porque se constrói essa realidade (ainda que apenas na cabeça de 1 ou 2 pessoas), ela passa a ser a verdadeira...como se por "decreto emocional" (proveniente da imaginação de alguns), o facto de se pensar que se é muito bom, muito inteligente e, acima de tudo, mais esperto que os outros, possa alterar essa mesma realidade, não só aos olhos desses mesmos, mas aos olhos de todos os outros!

Não é simples de perceber, eu admito...imaginem agora viver neste clima, nesta confabulação de que todos são maravilhosos, os melhores, uma grande família, mas onde o sucesso parece nascer de um golpe de sorte, do envolvimento de muito poucos. E quando as coisas parecem que vão rebentar (que tudo será finalmente "descoberto"), mais um golpe de pura sorte surge para que as aparências se mantenham por mais algum tempo.

E é pena. Neste grupo há pessoas brilhantes, há pessoas com uma capacidade muito acima da média, que todos os dias se esforçam, que todos os dias se envolvem, que todos os dias contribuem para que os golpes de sorte vão acontecendo...para que os milagres vão surgindo! paradoxalmente, são estas mesmas pessoas que vão mantendo "as outras" em cima do seu pedestal, não as deixando cair, não as deixando ser "descobertas". Mas este será, decididamente, um grande mérito destas pessoas que gerem - sabem escolher bem quem as rodeia! esse mérito não lhes pode ser retirado.

Ainda não sei que faça. Ainda não sei como me moldar a esta realidade. Mas se calhar, ainda assim, por vezes acho que sou eu que estou errado...se calhar sou mesmo.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

the very first!

são 17h00 do dia 23 de Janeiro de 2008. é nesta hora que escrevinho a minha primeira mensagem. Em vez de me dar os parabéns a mim próprio (como é costume nestas ocasiões!), queria apenas dedicá-la a uma pessoa especial...que já não está connosco. Mário, estejas onde estiveres, estarás sempre convidado a escrever neste endereço!